sábado, 16 de agosto de 2014

A Família do Senhor Shiva




Comentei com o Sevakunja (maridão) sobre a vontade de escrever sobre a Linda Família do Senhor Shiva. E quanto mais li sobre sua história, mais constatei minha insignificância perto da grandeza de seus feitos e do quão sublime é Shiva entre os Semi-Deuses. Nunca saberei, nunca saberemos.
Vamos preparar alguns posts falando Dele e de Seus passatempos (acontecimentos).



Senhor Shiva é Símbolo dos iogues e da meditação. Tem o poder da criação a partir da destruição, portanto é atraente e terrível ao mesmo tempo.


Ele destrói o que foi criado e preservado, para que o Senhor Brahma possa então recriar . O Senhor Shiva destrói as coisas para que possam ser renovadas. Interessante isso, não é?! Cada período de criação é precedido por um período de destruição. E assim os ciclos são possíveis. 




Pode ser venerado como um língan, como um asceta, um professor ou como um dançarino na grande dança da destruição. 

(Nós temos uma pequena Família de Shiva em Mármore Preto, Shiva Lingan, um presente que dei ao Sevakunja quando estávamos em Vrindavan. Assim podemos adorar ao Senhor Shiva e sua linda família, orando por suas bençãos, pois cada um deles é dotado de grandes poderes.)








A Consorte (companheira, esposa) do Senhor Shiva chama-se Parvati e é filha dos Himalayas (outra linda história). Parvati é a deusa do amor e do romance. Ela é muito graciosa e linda, mãe bondosa e esposa devota.







Shiva e Parvati eram casados e viviam muito felizes longe da civilização. Parvati  então percebeu que seu marido estava inquieto... ela sabia o que se passava com ele, pois o amava muito.
- Por que você não viaja por uns tempos? Eu sei que você levava uma vida diferente, antes de nos casarmos. Você meditava, era a sua principal ocupação. - Você é o maior yogui dentre todos os deuses.


Shiva desejava mesmo se absorver de novo, tinha saudades das grutas das montanhas, onde se sentava para meditar. E foi o poder do Yoga que o transformou num deus tão poderoso. 
- Mas você não vai se sentir sozinha se eu for? Não me demorarei... 
Parvati lhe assegurou que ficaria bem.

Passaram-se alguns anos, que equivaliam a milhares de anos terrestres, uma vez que o tempo é diferente para os homens e deuses.
Quando finalmente, Shiva levantou da posição de lótus, lembrou-se da esposa que o esperava pacientemente.

Neste tempo que Shiva esteve ausente, Parvati não esteve só. Shiva não sabia que tinha deixado sua esposa grávida e nem que tinha um filho, chamado Ganesha. 


Numa manhã de primavera, Parvati estava tomando banho, enquanto seu filho se mantinha perto do portão do jardim. Um homem alto, com longos cabelos presos, um monte de cobras e uma pele de tigre enrolada no corpo se aproximava do portão, e atrás dele uma vaca. Shiva tinha voltado para casa. 



Shiva parou... - será que esta linda casa era mesmo a sua? E quem seria aquele garoto bonito no portão?
- Deixe-me entrar menino!
- Não, respondeu Ganesha, franzindo as sobrancelhas para o vagabundo que queria entrar.
- Você não pode entrar! Ganesha se posicionou na porta de espada em punho.
Naquele momento, Shiva estava furioso e em segundos o corpo do menino estava no chão sem cabeça.



Parvati horrorizada viu seu filho sem cabeça e o marido que há tanto tempo não via. Chorou amargamente. Exclamou:
- O que você fez?! Este é Ganesha seu filho!

Shiva desculpou-se a Parvati, porém não podia voltar atrás, estava feito. Mas prometeu a sua esposa que resolveria a triste situação.
Então Shiva percorreu milhas e encontrou um filhote de elefante dormindo, cortou-lhe a cabeça e ao retornar encaixou-a entre os ombros de Ganesha. Inconformada Parvati foi pedir ajuda a outros deuses.
Brahma e Vishnu disseram a Parvati que nada poderiam fazer pois não poderiam passar por cima de uma decisão de Shiva, mas poderiam dar à Ganesha poderes, para que ele se transformasse num deus muito querido por todos ou hindus. Ganesha seria sempre reverenciado antes de todas as cerimônias religiosas, seria também aquele que destrói os obstáculos, aquele que trás fortuna...




E assim se fez. Hoje na Índia Ganesha é o deus mais adorado, sua imagem é encontrada no painel de todos transportes, na entrada das lojas comerciais e é realmente lembrado com carinho e devoção em todas as cerimônias religiosas, dando proteção e apoio àqueles que são seus devotos. 

Ele é o Deus do conhecimento, sabedoria  e removedor de obstáculos. Ele é venerado ou pelo menos lembrado no inicio de qualquer missão ou novo projeto para bênçãos e patrocínio.  





Possuidor de quatro mãos, a cabeça de um elefante e uma barriga bem grande. Em uma de suas mãos ele carrega uma corda (para carregar os devotos da verdade), uma machadinha em outra (para libertar seus devotos de apegos e vícios), tem um doce em uma das mãos (para gratificar os seus devotos por suas atividades espirituais), sua quarta mão está sempre estendidas para abençoar as pessoas. É sabedoria, inteligência, presença de espírito e agilidade mental. 

Em todos os comércios que visitamos estava presente uma foto de Ganesha, ou uma murthi (estátua, com oferendas de doces e flores. O Senhor que remove os obstáculos. Deus que abre nossos caminhos.


Mantra OM NAMAH SHIVAYA é um mantra de evocação a Shiva. 
A tradução literal do mantra seria "Eu Saúdo o Senhor Shiva"

*

O mantra Om Gam Ganapataye Namaha é uma invocação a Ganapati (outro nome de Ganesha).
Serve para remover os obstáculos, tanto materiais como espirituais.


* Haribol *




Sites de apoio:

https://sites.google.com/site/altergaia/shiva_parvati
http://www.planetafuturo.org/integridade/MITOLOGIAS/Lar-Doce-Lar-da-Familia-Shiva-Ganesha
http://www.grandefraternidadebranca.com.br/ganesha.htm


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A Jornada continua...


A ideia de fazer um blog surgiu na nossa viagem a Terra Sagrada de Vrindavan, no norte da Índia (sul da capital Dheli), sitio de peregrinação espiritual desde séculos antes de nós. Escrevíamos para compartilhar um pouco a experiência desta caminhada. 

Quando voltamos de lá algumas pessoas vieram nos falar que sempre liam o blog e ficaram muito felizes em aprender um pouco mais dessa "cultura indiana". Alguns não comentavam pois precisavam se cadastrar e enfim, isso não importa muito... o especial é saber que as pessoas que acompanharam os posts se identificaram. 

Uma amiga disse para o Sevakuñja que a gente não devia parar com o blog. E essa gota de esperança fez brotar em mim uma semente bonita. Dessa plantinha, a essência do que tenho aprendido com os Hare Krishnas, seu místico caminho e seus preceitos espirituais antigos pra lá de atuais. Sábios. 

A jornada dos Kunjas continua na vida e umas páginas ficarão registradas aqui... Boa viagem pra todos nós, rumo e de volta ao Supremo.

Vrindakuñja Devi Dasi


Hidratando no Centro de Tratamentos Naturopatas Balagi Nirogdham. em Dheli.

***

Próximo Post:
esta fantástica família 


O Senhor Shiva, Sua consorte Parvati e Seu filho...



...Senhor Ganesha.


*** Haribol ***







sábado, 16 de novembro de 2013

O processo de cada um de nós


Reverências sinceras amigos, família, 
devotos (que são amigos e família).

*
Sempre que alguém volta da Índia, mais especificamente desta experiência que estamos vivendo nestes dias em Vrindavan, compartilhamos das mais diferentes informações, percepções, visões. O blog é uma dessas ferramentas que estamos usando, eu e o Seva Kunja, para repartir um pouquinho do néctar que estamos provando. Ontem navegamos em 3 barcos pelo rio Yamuna no fim da tarde... 




Paramos num banco de areia, como uma pequena ilha e de lá pudemos assistir ao pôr-do-Sol Vermelho... um devoto me viu tentando fotografar o sol e disse sorrindo: pena que nunca conseguiremos reproduzir com nossas fotos o quão magnífico é este espetáculo da mãe natureza. Uma grande verdade, porque difícil também é descrever o que sente o coração. É uma espécie de gratidão misturada com alegria.

 


Um não saber o porquê de ser você ali. Um merecer sem explicação aparente. Uma certeza de que tudo é um resultado de algo muito lindo que fizemos, certamente em vidas anteriores, uma soma de méritos espirituais... pois a cada instante nos pegamos tendo o mesmo tipo de pensamento: isso é o que chama misericórdia. A Providência Divina da qual Guru Maharaj nos falou numa das primeiras aulas aqui. 











Sentamos num circulo na areia e cantamos os Santos Nomes de Deus por uma hora acredito... enquanto o céu mudava tempo em tempo de cor, cobria a todos com o tapete escuro da noite.... enquanto o sol se ia, a lua sorria.. por uns minutos os dois planaram no largo céu sobre o rio, sobre a mãe água, mãe Yamuna.












Na frente da cada um uma vela acesa, nenhum vento, um momento de reflexão, de oração. Quatro devotas, cada uma no seu canto, oferecia uma dança a Mãe Yamuna, deixando brotar do coração gestos, passos, giros.. 
Uma ciranda de luz e amor.








Subimos aos botes e ao som das orações cantadas por Guru Maharaj seguimos de volta a Vrindavan... os olhares eram muito gratos, pensativos, serenos. Perto das margens do rio uma cena impossível de captar: seguindo o fluir do Yamuna uma centena de barquinhos feitos de folhas secas com velinhas acesas dentro, corria e passava por nós.. são oferendas dos devotos que moram em Vrindavan e que vem a Vrindavan de diversas partes do mundo.. oferendas de Luz, de flores, flutuando... Simples e Elevado.




Hoje Guru Maharaj disse na aula uma verdade bonita e continuou com um relato seu: 
" vocês aqui em frente a mim são 80 pessoas unidas pelo mesmo propósito: vir a Vrindavan pedir as bênçãos para seguir uma vida de sabedoria espiritual, aprender a cerca da natureza da alma. Eu vivo para ajudar meu Mestre Espiritual Srila Prabhupada a fazer sua missão continuar. Ele fez o mundo conhecer o Maha Mantra Hare Krishna. 

Mansi Ganga



Sorria*




Quando já era um senhor dono de vários negócios, teve a grande oportunidade de se tornar um homem muito muito rico e poderoso, tinha apoio para isso. Mas Ele pensou: ter mais dinheiro e mais posses ... isso só faria enriquecer meu ego. Seria minha ruína espiritual. 



Seva Kunja ajudando a pequena grande Gouri a tocar o sino


                                              






 Preciso que as pessoas saibam de Krishna, que tenham ao menos uma chance de se libertar do sofrimento, que aprendam sobre o que é a vida, a natureza da Alma.. afinal somos Seres Espirituais vivendo uma Experiência Material. No entanto a maioria vive como se fosse o corpo unicamente. Não cuidam Alma. Não tratam de alimentar a Alma, com alimentos próprios para a Alma. E então disse Guru Maharaj, Srila Prabhupada aceitou a ordem da vida renunciada, e tratou de publicar uma revista em preto e branco que se chamada " De volta para o Supremo" . De porta em porta e em troca de poucas Rúpias a revista chegava as casas e esse dinheiro servia para que pudesse publicar mais revistas que chegariam a mais lares e também as primeiras traduções das escrituras sagradas... 




Shri Hari Dev Mandir






Hoje meus queridos, graças a Srila Prabhupada estamos aqui reunidos, falando de Krishna, aprendendo sobre o Amor Universal a todos os seres sem distinção, se preto, branco, amrelo, pardo, alto, baixo, magro, vaca, macaco, boi, cabra, peixe, galinha... são essas características corporais que aparentemente nos diferenciam.. mas na verdade somos Almas Espirituais e precisamos aprender a servir as demais almas... 


Precisamos desenvolver a capacidade de sermos estritos com nós mesmos e amorosos e humildes com os demais.







Dançando onde Mahaprabhu dançou(Shri Hari Dev Mandir)


Assim sigo os passos de Srila Prabhupada e engajo todos vocês numa série de projetos para fazer do mundo um lugar de mais paz e amor, pois isso precede a harmonia universal. E como sou ajudado posso ajudá-los os instruindo caso se abram para isso, caso baixem a guarda e permitam que eu conheça seus corações. Essa é a função do Guru, para isso vivo. Para um servo do servo do servo da Suprema Personalidade de Deus."


Seva Kunja e seu amiguinho Gokula



 Seva fotografando






 Então amigos eu, Vrinda,  tenho me concentrado em entender o que Krishna quer de mim. Como Ele está em tudo, tenho procurado encontrar o som de Sua Doce flauta em tudo que me cerca, nos momentos que vivo... O Seva Kunja é um companheiro muito especial que tem me ajudado com seu jeito tranquilo e suas tiradas surpreendentes, de quem observa mais do que fala... e assim permite que seu interior possa processar as informações e reproduzir lindas percepções dos fatos. Sua presença é outra linda bênção divina.









Em Govardan



Quando conheci os "Hare Krishnas", ganhei um CD com músicas devocionais na primeira semana que comecei a frequentar o templo... e lembro que só ouvi aquele CD por meses... tanto que hoje, quando ouço aquelas músicas sempre lembro da época que descobri que todo este mundo tão lindo e cheio de conhecimento e bondade existia e fico emocionada. Krishna sabe disso... E lembro também que muitos e muitos atendimentos na clínica fiz ouvindo as músicas deste cantor. Um dia escrevi um e-mail contando pra ele tudo isso e dizendo que ouvir suas músicas cria uma atmosfera muito espiritual sempre e que lhe agradeço muito por ter compartilhado seu dom conosco, que todos ao meu redor possam também experimentar dessa paz. E fiquei tão feliz porque ele me respondeu de forma muito fraterna e disse que quando eu viesse a Vrindavan escrevesse novamente pois ele gostava muito de meu Guru Maharaj, são ambos discípulos de Srila Prabhupada e portanto irmãos espirituais. 




ruas de Govardan







Então escrevi a ele quando cheguei, me respondeu, mas infelizmente a  programação nossa e dele nunca possibilitava que pudesse conhecê-lo... Eis que hoje eu e o Seva fomos almoçar já tarde em outro lugar e quando estou subindo as escadas para o restaurante de devotos, atrás de nós subia alguém que eu sabia que conhecia. 

Perguntei: qual seu nome prabhu? 
E ele me respondeu: Atmarama Dasa. 
E o seu mataji? 
E eu: oh prabhu, sou Vrinda Kunja, discípula de Guru Maharaj Paramadvaiti. 

Ele abriu um sorriso e disse: a devota do Brasil! Ohhh, fiquei tão contente, ele deu um abraço no Seva e subimos juntos, conversamos por meia hora... Ele colocou no celular o seu novo CD para que ouvíssemos e pude agradecer pessoalmente e novamente por compartilhar suas canções conosco.







 Mas acima de tudo, agradeci a simplicidade e naturalidade com que tratou comigo sempre. Falei que gosto muito de Rock mas que nunca imaginei poder sentar e conversar com os cantores que gosto, pois o mundo faz os Pop e Rock Star pessoas inacessíveis. E dentro do meu coração agradeci muito ao Senhor Krishna porque sei que o arranjo daquele momento foi Dele, perfeito como só Deus. E agradeci a Srila Prabhupada por nos ensinar a sabedoria tão prática da consciência de Krishna, onde através do Serviço Devocional a Deus e aos demais, aos poucos podemos limpar nossos corações e deixar de nos inflar por nossos pequenos méritos seja lá quais forem .. 




Assim um cantor muito bom pode sentar com uma dentista e conversar tranquilamente, sem que fãs fora de si fiquem puxando sua roupa ou implorando por autógrafos e coisas assim... e depois junto com um ótimo Analista de tecnologia da informação (Seva Kunja), almocei pratos vegetarianos deliciosos feitos por Cozinheiros de primeira! Porque assim é, cada um tem sua aptidão e quando coloca o foco em Deus e se prostra aos pés do Supremo Senhor, é capaz de realizar feitos maravilhosos e ajudar mais e mais pessoas a se tornarem seres conscientes e verdadeiramente felizes juntos a Krishna.




A internet está muiiiiito lenta hoje e levamos umas 3 horas para preparar este post.
 Que possam provar um pouquinho do que estamos vivendo!

Hare Krishna!!!


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Dia lindo de se ver

O Búfalo e os passarinhos
Todos os dias acordamos às 4 da manhã e limpinhos, cheirosinhos e arrumadinhos chegamos a sala do templo para receber o Darsham das deidades (os ''Santos'' dos nossos altares), às 5hs. O Darsham é uma bênção que recebemos, mas também sinaliza o momento que a deidade vê quem veio até ela, quando Deus vê quem foi a seu encontro. Então todos cantamos, os devotos acompanham com vários instrumentos... entramos numa atmosfera de paz, amor e orações... Guru Maharaj nos fala por uns instantes, de maneira plena... Saímos para a caminhada matinal, das 6 as 7hs as margens do sagrado rio Yamuna... um sol nascendo vermelho, uma bola suspensa de fogo, poderoso Surya, o Senhor Sol. Uma neblina abraça tudo e todos, gostosamente. Durante o caminho os devotos vão recolhendo o lixo plástico, colaborando para manter as margens limpas, lugar onde o Supremo Senhor Krishna realizou tantos de seus lindos passatempos... Temos 2 horas de aula com Guru Maharaj, tomamos o dejejum e partimos para mais um dia visitar locais sagrados cheios da mais bonita energia...


 Guru Maharaj distribuindo amor em forma de doces



Em mais um desses dias nos dividimos em grupos para preencher as moto-riksas, apertadinhos em 7 a 8 pessoas.... e lá vamos nós para mais uma aventura por terras Indianas. No primeiro templo que chegamos lá estava Laksmi Devi, a famosa deusa da fortuna.. os sábios daqui dizem que a Mulher é a Laksmi do lar e se ela não estiver feliz, a fortuna não estará presente. Então maridos, fiquem atentos! hahaha ao mesmo tempo os esposos também tem seu lindo papel ahhahah. Neste templo também juntamos os lixos plásticos dos jardins e tudo ficou mais bonito. Juntos fazemos tudo rapidamente mudar de cara. E Guru Maharaj ofereceu muitos doces para as criancinhas dos arredores do templo que correram de longe para receber os agradinhos, foi lindo de ver!




Laksmi Devi







As crianças foram correndo atrás das Riksas quando saímos... de pés descalços no chão de terra.. lembram cenas do interior do Brasil, lembram antigamente, entre árvores, naturais. Não falam nossos idiomas, ou melhor, não falamos o idioma delas. Mas nossos olhares se cruzam e nossos sorrisos permitem que o idioma oficial seja o do Coração.











Seguimos ao templo que tem um belo jardim com árvores enormes que incrivelmente tem vários caules mas que tem galhos que se comunicam , se unem como pontes... UAU, parece que estão de braços dados dançando e quiçá estavam! São de muitos e muitos e muitos anos e dizem estarem presentes quando radha e Krishna se casaram... por isso as noivas colocam pedaços de seus saris vermelhos amarrados nelas, pois testemunharam a comunhão que simboliza o Amor Transcendental por Deus. Embaixo das árvores as deidades de Krishna e Radharani, abençoando a todos, nossa união, nossa família.. que Krishna sempre habite nossos corações.




Krishna e Radharani sob a árvore onde casaram.




Vrinda, é pra beijar a árvore (alguém gritou)!
Alegremente seguimos ao Bansibat onde o Senhor Krishna  tocou sua flauta e o som chamou  Radharani e suas amigas para dançar... 

Lá as árvores são famosas árvores dos desejos.. mas o mais impressionante é que, ao colocar o rosto perto e encostar o ouvido nelas, todos nós somos capazes de ouvir o som de um coração pulsar, ritmado, emocionante! 

Árvore dos Desejos





Todas as árvores expressam este tum-tum tum-tum tum-tum e seus caules são por tradição amarrados com panos das mais diversas cores! Belíssimo jardim! E deidades mais lindas ainda! Guru Maharaj cantou, tocou e dançou por quase uma hora! Uma festa pra Deus!





Ouvindo seu lindo coração bater




As deidades manifestam Deus definitivamente!


 Na volta para o templo o pneu da nossa Riksa estourou! Ficamos parados esperando o step de outra riksa.. coisas que acontecem! Mas nada fará com que se apague da memória e do coração tudo que tínhamos acabado de viver. Momentos que agradeço sempre, pois sei que são presentes de Deus, são frutos de muita misericórdia divina para conosco!



Ixiiiiiiii



Chegamos ao templo na hora do almoço e a Prasada (alimento oferecido a Deus) estava deliciosa! Nossa sobremesa foi este lindo bolo que os devotos prepararam carinhosamente pra madre Prem Kumari que estava completando 29 aninhos! E lá veio mais música e sorrisos... numa tentativa de se compartilhar com todos de uma vida simples com o pensamento elevado.



O bolo e a aniversariante radiante!


Hare Krishna!!!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Um monge relata o grande milagre de sua vida

Numa de nossas classes da manhã, Guru Maharaj abre o espaço para que as pessoas falem dos milagres de sua vida. Milagres de fé. Então um dos Maharajs relata parte de sua história. E corri a escrever para poder compartilhar com vocês amigos e família!

" Eu levava uma vida boa. Tinha vários amigos, éramos meio hippies. Eu tinha uns 20 anos nesta época e eis que um dia um desses meus amigos chega a minha casa, todo trajado, numa postura bonita e dizendo: virei evangélico. Eu pensei:como pode isso?? O que ele viu nisso pra mudar tão radicalmente? E eu fui conversar com meu pai.

- Pai, Deus existe?
- O que você disse rapaz?
- Estou perguntando pro senhor se Deus existe?
- Olha, eu não sei. Mas por que você não vai procurar?! 

Aula da noite nos jardins do Asram. Festival de velas.


   E apontou para sala que era sua biblioteca pessoal, abarrotada de livros! Eu entrei e procurei um livro que me parecia guiar neste sentido espiritual.. depois li mais um e mais um e muitos mais... Num desses livros captei uma verdade muito incisiva: Um verdadeiro religioso não come carne, não fuma e não bebe. 
   Depois encontrei um livro que dizia: quando você encontrar uma VERDADE, faça dela sua vida. 

Devotinha meditando


   De tudo que eu tinha lido, aquela era uma Verdade Verdadeira. Me pareceu muito cabível já que Deus é amor e não gostaria de ver uma pessoa provocando dor em outros seres a custas de suas vidas para satisfazer seus desejos.. é parecia justo um homem de Deus não comer animais indefesos e se alimentar do sofrimento deles... também pareceu bom o fato de um religioso não se intoxicar com bebidas que o tiram de seu estágio normal de consciência e nem fumando substâncias que só trazem mal a este corpo que é o templo da alma.

Festival de Rua


   Passei a buscar um religioso assim, mas não encontrava.
   Um dia um amigo me disse que no cinema estava passando um filme de Francisco de Assis, que eu iria gostar. Fui assistir ao filme e me encantei! Esse sim é um religioso de verdade! Ele não come os animais, portanto nenhuma carne, não fuma, não bebe, leva a vida perfeita de um homem de fé.
Resolvi ir até uma igreja franciscana.

- Bom dia, o que você deseja?
- Quero me tornar um franciscano.
O homem me olhou sério, fechou a portinhola do grande portão e então abriu para que eu entrasse. 
- Venha rapaz, vamos conversar. Almoce conosco.

   No almoço, sentado numa grande mesa com vários outros franciscanos tinha dentre tudo, vinho, licor e muita carne! Seguimos conversando muito, durante umas 3 horas. Quando fui embora pensei: deve ser um dia de comemoração de algo... frequentei o seminário por mais uns dias e as refeições seguiam nos mesmos padrões. Certo dia perguntei a eles: 

- Por que vocês comem carne e bebem, se o líder do movimento de vocês não fazia isso?
- Porque Ele era Francisco! Nós não somos.

   Nunca mais voltei lá. E decidi também: nunca mais procuro Deus.

Vrinda Devi, mãezinha da Devoção.

   Conheci um homem que fazia artesanato e pensei em aprender com ele. Fui trabalhar junto, produzíamos muito para vender numa feira onde vários ônibus de viagem passavam e paravam para comprar. Porém sempre fui de acordar muito cedo e já corria a montar nossa barraca na madrugada. Os primeiros ônibus que chegavam só encontravam nossa barraca aberta então vendíamos praticamente tudo! Era muito bom negócio para mim que então já estava com 25 anos.
   Um dia quando chego na feira vejo que uma barraca já estava montada. Pensei: concorrência! Cheguei perto e encontrei um rapaz careca, com uma mão enrolada num saco de pano. Então perguntei: 

- Quem é você?
- Sou fulano. Sou Hare Krishna.
- Sim?! E o que vocês fazem?
- Bom, vivemos uma vida de entrega e amor a Deus. Seguimos alguns princípios para isso.
- Que tipo de princípios?
- Bem, não comemos carne de nenhum tipo, não fumamos, não bebemos, não...
- Como como? - Perguntei perplexo! Vocês são religiosos que não comem carne, não fumam, não bebem??
- Sim, somos.

Diwalli ("Natal") - Mungir Raj Mandir



   Pensei: quando eu cansei de buscar, Deus me coloca um devoto na frente! Ele me convidou pra ir ao templo assistir uma palestra num dia de manhã. Como sempre acordo cedo, cheguei lá as 7hs achando que era cedo. Todos já estavam de pé! Arrumados! Entrei numa sala e confesso: senti meu coração bater forte. Do lado esquerdo tinha uma cortina fechada mas o que estava atrás dela se movia. De frente pa ela, do lado esquerdo tinha um senhor sentado numa meditação profunda, bonito de ver, não quis incomodar.. então ouvi o som de um buzio e a cortina se abriu. Ali existia um altar muito lindo e decorado com enfeites e muitas flores. Os Santos tão lindos me deixaram profundamente emocionado. 

Murti de Srila Prabhupada no Samadhi de Srila Prabhupada




   Quando eu estava indo embora o devoto pergunta se gostei, se não gostaria de morar lá... eu penso: quem é essa gente, nem me conhece e já perguntam se quero viver com eles?! Falei que ia pensar... Uma semana depois eu estava indo morar no templo e até hoje vivo com os devotos. Aqui estou. 
Claro, logo depois voltei a casa de meus pais e levei um Bhagavad-Gita de presente. Eu estendi o livro na direção dele e disse ao meu pai:

- Pai, eu encontrei Deus. Ele existe.

   Meu pai me deu um grande sorriso, pegou o livro e levou pra sua biblioteca.. me disse que iria ler. Também lhe dei uma foto de Srila Prabhupada e disse a ele que todo dia acendesse um incenso ao lado, num ato de oferenda de amor.
   Meu pai leu o Bhagavad-Gita e me contou que estava muito muito contente porque Srila Prabhupada num de seus comentários sobre os versos do B.Gita respondeu uma grande dúvida que ele tinha: o porquê de tudo isso! O porquê de toda essa existência! Prabhupada disse que tudo isso não passava de um grande passatempo de Deus. Não havia rigidez nos planos. Tudo acontecia naturalmente, um teatro Divino.
   Até hoje meu pai oferece incensos e flores para Krishna todos os dias apesar de minha família ser de descendência cristã. E no dia que disse aos meus pais que iria viver num templo foi a primeira vez que os vi chorar. E se tratavam de lágrimas frias. Pois as lágrimas quentes vêm de um choro de dor. Mas as frias são lágrimas de alívio e felicidade."

Sevakunja reverenciando Sri Narada Muni





Espero que tenham lido este relato com o coração aberto. É história de vida de um senhor que encontrou Deus. 

Nós rimos com seu jeito moleque de contar como tudo aconteceu nesta fase de sua vida. Também porque sabemos que a cortina do altar se move porque existe um devoto atrás arrumando as deidades (os santos)! Maharaj disse que na hora sentiu mesmo que Deus se movia ali dentro!! E o senhor que estava quieto meditando era uma Murti de Prabhupada (uma imagem em forma de estátua)... e Maharaj não queria incomodá-lo quando o viu!! 

Grande abraço *
Que Krishna esteja sempre vivo em seus corações!